Veio a mim um anjo

Um anjo me encomendou uma poesia
Estava só, estava com minhas idéias
Quando o vi descer
Estava em minha janela.

O anjo me pediu uma poesia
Ela seria a mais alegre,
Seria a mais gentil.
O anjo queria uma descrição da felicidade.

Foi-me o anjo ao ouvido
Sussurrou-me lindas palavras
O anjo quando entrou, mansinho
Tinhas asas verdes e uma bela aura.

Ah...pareciam ínfimas estrelas
Era bondade em energia
Uma luminosidade, brilho-primavera.
Em sua camisola notas musicais.

Tão linda, lindas melodias
Eu: estatelado ouvia,
Sentia a presença
À minha casa o anjo vinha.

O sorriso dourado
Seu hálito acariciador
A dor não se via no anjo
Estado de bondade e beleza em pleno esplendor.

E agora vamos aos fatos:
O que queres anjo ?
Por que vens até nós ?
Olhava-me a cintilante criatura.

Em seus movimentos mudos
Explicou-me como queria
Entende! Nossa, tudo entendi
Todos os vetores, brilhos e magias.

Tudo tão lindo
De onde vinha o anjo?
Indagava-me, eu olhando-o,
Contemplando sua verdade.
Como queria?
Fora-me explicado
Tudo lindo na poesia
Tudo muito bem e amado.

Mas sobre o que, anjo ?
Sobre que queres, celestial ?
Reluzente em seu manto,
Manifestação da bondade sideral.

Estava encantado
Tamanha presença do anjo
Vamos lá, conte-me sobre
Que queres que eu escreva magistral ser.

Escreva-me, disse o ser
Sobre suas vidas
Seus seres, seu crer
Suas festas, suas fantasias.

A leve sensação me deixou.
A vergonha penetrou-me a alma.
Contrastando a presença
Minha alma desaqueceu, acabou.

Aquela sublime criatura
De tanta bondade
Não sabia de usura
Que todos tiravam entre si, na verdade.

Aquele anjo feito criança
Sorria feliz pra mim
Esperando minha resposta afim;
Mas cá estou, onde está o verde,
Onde está a esperança ?

O anjo-feliz tão tênue,
A suavidade corria por sua teia
Qual tecia a cada momento,
Parecendo, porém, sua índole ingênua.

Como poderia
Com métodos tão elevados
Descrever pífias criaturas
Que vivem tão distante, tão degradados.

Uma corrente interina
Queria que fosse constante
Mas era tão intestina
Ao mesmo tempo distante.

Olhei sem forças para o anjo,
Tão triste, correu-me uma lágrima
Brusca vida, não me encaixo nesta
Organização fétida, vida de engano.

O anjo entedeu-me
Seu rastro brilhante ficara,
Lúcido livre em meu quarto
Fora-se o anjo,
Ao menos senti sua leveza.

Vai anjo, continua a voar
Seu rastro é feliz
É a diferença que faz
Meu mundo é assim, não fui eu que o quis.

Mas mesmo assim, anjo
Sua onipresença fecunda
Em mim a semente de um mundo
Que de feliz na imaginação se inunda.


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